quinta-feira, 26 de março de 2009

A arteira e a arte.


Mamãe me empresta tua bolsa
teu colar e teus sapatos
depois me passa batom
que vou tirar um retrato.

Deixa eu me olhar no espelho
deixa só por um instante.
Quero batom mais vermelho
quero um colar bem brilhante.

A sala é uma passarela
requebro e faço proeza
sou artista de novela
a rainha da beleza.

Será que o sonho termina
quando desço dos sapatos?
Será que baixa a cortina
quando chega ao fim do ato?

(do livro: O Embrulho do Getúlio)


O amor é finalmente um embaraço de pernas,
uma união de barrigas, um breve temor de artérias,
uma confusão de bocas, uma batalha de veias,
um reboliço de ancas, quem diz outra coisa é besta.

quinta-feira, 19 de março de 2009


Nosso destino nunca é um novo lugar,
senão uma nova forma de ver as coisas.

"Digo que poderíamos ser muito mais felizes
do que geralmente nos permitimos ser,
mas temos medo dos preços a pagar.
Somos covardes."
Abraço com os dois braços
Quem me abraça com o coração.
Jogo o escuto no chão, e no enlaço
Fico despido, fico frágil, fraco feliz,
E no cheio de afeto embaraço,
Faço do abraço uma paixão.

sábado, 14 de março de 2009


Acordei estranha...
... Mas tem algo que nasceu comigo e que aparece sempre, bem nessa hora que está entardecendo... Não sei o nome, é parecido com angustia, com medo, com desespero. Eu começo a sentir saudades de tudo, me dá uma solidão tão grande. Minha mãe saiu, faz umas duas horas, mas me deu uma saudade tão grande dela e uma vontade tão enorme só para tê-la por perto que acabei de ligar pedindo se ela já estava voltando. Acho que um preciso de um abraço. Acho que eu preciso de amor.

"Ele gostava quando ela dizia sabe, nunca tive um papo com outro cara assim que nem tenho com você. Ela gostava quando ele dizia gozado, você parece uma pessoa que eu conheço há muito tempo. E de quando ele falava calma, você tá tensa, vem cá, e a abraçava e a fazia deitar a cabeça no ombro dele para olhar longe, no horizonte do mar, até que tudo passasse, e tudo passava assim desse jeito. Ele gostava tanto quando ela passava as mãos nos cabelos da nuca dele, aqueles meio crespos, e dizia bobo, você não passa de um menino bobo". . .

sexta-feira, 13 de março de 2009

Os espaços vazios


Nunca soube o que fazer
com os espaços que ficam
depois que alguém vai embora
uma dúvida insiste
e de tanto, o meu tentar desiste
de trocar a ausência
por qualquer coisa que fira menos:
nada para repor
nada para suprir
nada que realmente comportasse
o encanto de algo que ficou
para trás